quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Teatro

Conto de Pedro Ribeiro do Carmo

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Olhar

Multidão. Ele se destaca em meio aos outros. Parece que ele me olha, mas, na verdade, vejo que me enxerga. Sinto calor, meu coração acelera e perco as palavras. Nunca nos falamos, mas senti que havia algo entre nós. É um encontro que acontece só dentro de mim.
Por Ingrid Spritzer e Lilian Teramoto

Anúncio Narrativo

Era noite e Pedro estava na balada. Amigos, mulheres, música e agito, clima tipicamente descontraído. Inicialmente, nem pensava em beber, pois pretendia voltar dirigindo para casa. No entanto, o ambiente, os amigos, tudo o levou ao excesso. A visão foi ficando turva, as pernas bambas, sua maneira de falar diferente. Foi assim que Pedro, um jovem de apenas vinte anos, terminou sua noite: pegou o carro e sem medir as conseqüências saiu, acelerando bruscamente o veículo, do estacionamento da boate.
Pedro estava se sentindo mais poderoso que os amigos, pois era ele quem estava dirigindo. Durante a trajetória, a visão do garoto foi ficando cada vez mais turva, o sono foi se acentuando, até que ele perdeu o controle do automóvel. Tudo escureceu. O jovem acordou assustado, se viu jogado no sofá da balada. Aliviado por estar vivo. Dessa vez foi apenas um sonho.
Por Francieli Moraes, Ingrid Spritzer, Lilian Teramoto e Victor Camargo

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Vento

Eu estava debruçado em minha antiga e descascada janela. Era possível sentir a fina e suave brisa do vento no rosto. Os pêlos enguiçavam e sentia calafrios a cada assovio de ondas de ar que vinha do lado de fora da minha casa. Era como se eu estivesse completamente sozinho num pequeno vilarejo onde a única coisa possível de se ouvir era o canto dos passarinhos. Estranho mesmo era que somente agora eu começava a notar pequenos detalhes do meu estabelecimento. A cortina rasgada, a fina camada de poeira na mesinha, as louças sujas largadas pelos cantos da sala e meu pobre cachorro triste e abandonado junto à parede perto da onde eu estava. Parecia que a vida após a deixa de minha amada era completamente outra. Lembrei-me daqueles velhos tempos em que sentávamos naquele pequeno sofá e passávamos horas e horas conversando e rindo de fatos que aconteciam em nossa vida cotidiana e mecânica. Era o nosso melhor passatempo. Mas agora, a carência e a solidão trouxeram junto a si um tempo estagnado e tedioso. A única forma de esquecê-la era sem dúvida adentrar no mundo da leitura e se desprender do mundo real para entrar no imaginário. Pois era exatamente isso que fazia todas as tardes. Deitava-me na rede do pequeno jardim dos fundos da minha casa e explorava as histórias que outros haviam transformado em fileiras de palavras, na qual meus olhos seguiam-nas como água corrente que nunca pára. Era o meu maior prazer. Relaxar meu corpo na rede, enriquecer minha mente com histórias fantásticas e sentir o vento gelado em meu rosto. Uma sensação inigualável. O vento tinha o poder de penetrar em meus poros cutâneos e seguir viagem até meus pulmões de tal modo que me sentia renovado a cada dia mais. Inspirá-lo proporcionava-me um alívio e um estado de calma e suavidade extrema. Era como meditar apenas pela respiração.
Mas, certo dia, algo surpreendentemente estranho aconteceu. Fui, como sempre, exercitar meus olhos através da leitura. Naquele dia, resolvi deixar de lado obras literárias para explorar um hábito meu de tempos atrás, a escrita. Resolvi ler meu diário, que estava enterrado numa caixa encostada em meu porão. Fazia sol naquela tarde, e podia-se ouvir o barulho do movimento do mato ocasionado pelo vento. Lia e me divertia com minhas antigas histórias mencionadas no diário. Continha relatos de minhas loucuras com amigos, que já não tinha mais contatos. Até que cheguei à parte em que conheci o significado do amor. Era o início da minha vida amorosa com aquela que a pouco me abandonou. De repente, o tempo foi se alterando velozmente. A leve brisa de vento se transformou em uma ventania de rachar os lábios e quebrar os galhos das árvores. Começaram a cair gotas vermelhas do céu. Olhei atentamente para examiná-las e percebi que era sangue. Elas pingaram em meu diário, manchando e borrando a escrita contida naquelas páginas envelhecidas. A força do vento era tamanha que arrancou do diário algumas folhas e levou consigo até perder de vista. Aquele líquido pegajoso vermelho vivo que caia incessantemente provocou em mim um tremendo mal estar. Desmaiei.
Ao acordar assustado, percebi que minha vista embaçada olhava para o chão coberto de grama. Devia ter caído da rede ao cochilar. O diário estava perto de meu corpo. Peguei-o e vi que haviam páginas faltando. Muitas delas por sinal. Mas li minha coletânea de relatos passados e notei que meu diário apenas contava fatos e experiências engraçadas. Loucuras cometidas quando se é jovem. Lutei com meu cérebro para tentar lembrar o que estava contido nas páginas arrancadas. Nada. Será que eu mesmo que as havia rasgado? Ou será que quando escrevi o diário, usei as páginas arrancadas para usá-las de rascunho. Não consegui chegar a nenhuma conclusão plausível. Então fechei o diário e voltei para casa alegremente. Olhei ao redor e vi meus cômodos arrumados, móveis limpos e meu cãozinho latindo e pulando em minhas pernas. Dias se passavam e eu, como sempre, deitava em minha rede para entrar no mundo da fantasia, dos poemas e do amor. Era mais uma tarde ensolarada com uma leve brisa de vento batendo em meu rosto.
Por Lilian Teramoto